sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A Folha quer o fim da TV Brasil
Por Marcelo Salles

Em editorial publicado hoje argumenta que a audiência é baixa, que sua criação não foi um ato democrático (porque nasceu de um decreto) e que gasta, por ano, 350 milhões de reais do dinheiro do contribuinte. Por isso, encerra o texto da seguinte forma: “Os vícios de origem e o retumbante fracasso de audiência recomendam que a TV seja fechada – antes que se desperdice mais dinheiro do contribuinte” (veja a íntegra abaixo). Eu tenho críticas à TV Brasil, mas nenhuma delas tem a ver com a opinião da Folha. Aliás, seria bom a gente perguntar: a quem serve a Folha? No cabeçalho se diz que é um jornal a serviço do Brasil, o que soa como piada pra quem conhece minimamente a história da imprensa do país. Pra não ir muito longe, basta dizer que o jornalão emprestou veículos para a ditadura. Mas talvez isso seja uma questão de ponto de vista: estavam, diria o jornal da “ditabranda”, a serviço do Brasil contra a Comunidade Comunista, que pretendia se instalar no governo federal. Voltando. A TV Brasil é uma tentativa de cumprir a Constituição, que determina a complementariedade entre os serviços privado, público e estatal. Hoje só existe o privado e, tenho certeza, isto tem a ver com o lixo jogado no ar todos os dias. Sim, amigos, a televisão privada brasileira é um lixo. Não presta. Raríssimos são os programas razoáveis. Na Globo, por exemplo, nada menos que metade da programação entre 12h e 24h é de novela. E de uma novela que dissemina os piores valores morais que existem. Posso concordar que existem erros graves na TV Brasil, e o primeiro deles foi a entrega dos cargos de direção para jornalistas oriundos das corporações de mídia. Com isso o governo indicou uma conciliação, não uma mudança substancial no jeito de fazer jornalismo. Assim, não é à toa que muito do conteúdo veiculado pela TV Brasil, sobretudo nos telejornais, tem sido muito parecido com aquele das corporações privadas (ver a carta do Mário Augusto Jakobskind à Ouvidoria da emissora, aqui no Fazendo Media). Por outro lado, não dá pra dizer que é tudo igual. Se pegarmos a programação como um todo, veremos a existência de iniciativas que jamais teriam vez no atual sistema privado de televisão. É o caso dos documentários, que dão voz e vez aos segmentos da sociedade que só aparecem na mídia corporativa como bandidos.
Por isso, o governo precisa se manter firme diante da pressão da Folha. E contra-atacar. Pra começar, coloque em pauta a mudança na lei que criminaliza as rádios comunitárias e determine que sua Polícia Federal vá se preocupar com aqueles que realmente ameaçam a sociedade. Essa babaquice de inimigo interno já fez muito mal ao país. Enquanto calam as vozes do povo, armas e drogas atravessam nossas fronteiras numa boa. O Rio está infestado delas, e boa parte da culpa é da falta de fiscalização. No Brasil arcaico do século XXI, as emissoras privadas de televisão, todas golpistas, ainda recebem dinheiro grosso do governo (meu, seu, nosso) para veicular campanhas publicitárias de saúde pública. Em países um pouquinho mais civilizados isso não é assim, pois como as emissoras privadas são concessões públicas (decididas pelo meu, seu, nossos representantes no Congresso), trata-se de uma obrigação ceder espaço para veiculação de mensagens de interesse público, sobretudo em relação a epidemias (como, atualmente, a gripe suína). Isso a Folha não critica. Assim como não vê problemas na existência de um oligopólio privado na televisão aberta. Justo o jornal que faz propaganda dizendo-se democrata (”quem lê a Folha fortalece a democracia”). Deveria ser processado por propaganda enganosa. A Folha não se incomoda com a SS brasileira, a Sociedade Sinistra que congrega TV Globo, RedeTV, Band, CNT, SBT e Record. É como se fosse natural que apenas 6 empresas tivessem o direito de se comunicar via tv com 191 milhões de pessoas. E, pior, é como se fosse natural que esse oligopólio se posicionasse, compacto, pela economia de mercado, pela cultura enlatada, pela política coronelista (Sarney foi “descoberto” com 30 anos de atraso), pelo imperialismo e pela exploração das riquezas e do povo brasileiro. É isso que veiculam, todos os dias, e, se discordam, desafio qualquer diretor de qualquer uma dessas empresas para um debate público, de preferência veiculado em cadeia nacional de rádio e televisão. Eis a dupla desgraça brasileira. Um sistema de comunicação apátrida, a serviço do capitalismo internacional, e um governo – eleito pelo povo e pelos movimentos sociais organizados – que não se livra disso.

Marcelo Salles, jornalista, é coordenador da Caros Amigos no Rio de Janeiro

quinta-feira, 18 de junho de 2009


Leituras de Época
18/05/2009 19:16
Para entender o Brasil

* Luciano Martins Costa Afogada nos acontecimentos do dia a dia e limitada pela própria natureza do material de que é feita, a imprensa tradicional abandonou nas duas últimas décadas a prática das grandes reportagens, aquelas que ajudam o público a compreender melhor certos temas complexos. Junto com a reforma que transformou jornais e revistas em coleções de notas curtas e relatos apressados, veio a perda da capacidade de oferecer reflexões de maior alcance e de refletir o pensamento de grandes camadas da população.Enfim, a imprensa vem parecendo menos relevante por se tornar cada menos representativa da sociedade.Eventualmente, mas ainda raramente, uma publicação se dispõe a penetrar em determinado tema e oferecer aos seus leitores algo mais do que o escândalo da semana ou declarações de seus personagens prediletos.É o que faz nesta semana a revista Época com a reportagem sobre pesquisa realizada pela ONU com quinhentos mil brasileiros nos últimos seis meses. O resultado é um mapa para compreender a visão da sociedade sobre seus próprios problemas e as expectativas da população a respeito das prioridades que deveriam ser dadas nas políticas públicas.A reportagem é importante não apenas pelas respostas, que apontam a preocupação dos brasileiros com a construção de uma sociedade mais justa e ética, mas por chamar a atenção para o erro que significa avaliar o desenvolvimento de um país apenas pela evolução do seu Produto Interno Bruto.Ao contrário do que normalmente se revela nas consultas apressadas à opinião pública, nas quais aparecem com mais destaque os problemas circunstanciais, a pesquisa da ONU ressalta que os brasileiros se preocupam em primeiro lugar com a educação e apontam como causas das mazelas nacionais a falta de valores, a corrupção e a desigualdade. Está aí um ponto de partida interessante para uma nova agenda nacional, que poderia ser assumida pela imprensa: em vez de dar tanta importância às picuinhas da política, aos escândalos do dia e a indicadores isolados de desenvolvimento, bem que se poderia propor uma pauta mais ambiciosa, da qual pudessem resultar reportagens sobre os problemas reais do País e as reformas estruturais que podem conduzir a soluções.Quando quer, a imprensa pode entender o Brasil.

* Jornalista e escritor Publicado no Observatório da Imprensa em 18/05/2009

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Uma Ferramenta para os Jornalistas

Blog o que seria um blog, um diário virtual, um espaço para postar notícias de todos os gêneros, um meio para se comunicar com os amigos ou seria tudo isso e muito mais.

Os jornalistas agora com os blogs têm a possibilidade de exercer seu trabalho de forma livre sem perder parte do seu texto para a publicidade dos jornais e sem serem barrados pelos editores nas redações ele tem um meio aberto onde pode publicar o que bem entender.

O blog utilizado como diário pessoal para alguns, serve como instrumento de divulgação de textos jornalísticos onde o profissional pode levar o seu trabalho de forma autentica sem restrições ou recomendações.

Muitos jornalistas já ganham dinheiro com seus blogs por meio deles milhares de pessoas os acessam para ler o conteúdo postado pelo profissional, levando credibilidade ao jornalista e ao seu blog, onde muitas empresas acabam se interessando pelos blogs de profissionais que conquistam os internautas.

Utilizado para levar conteúdo especifico ou geral, muitos blogs levam informações que não se encontra em jornais ou revistas, muitos deles já servem de referência para diversos temas; este meio que é geralmente gerenciado por uma única pessoa, como todos os meios de comunicação para conquistar a credibilidade do público necessita-se de que haja um comprometimento com a verdade em parte de quem está sob o comando do blog, onde a pessoa possa buscar informações com confiança no que está postado dentro do blog.

Portanto o blog é uma ferramenta que vem para contribuir pelo direito de informação e o jornalista tem a oportunidade de expressar se como realmente gostaria de atuar dentro da redação, só que para ele ganhar dinheiro com este meio ele terá que ser mais que aquele profissional do cotidiano, mas sim terá que ser o melhor e chamar a atenção dos navegantes para conquistar não só a sua credibilidade, mas também a do seu blog.

A Hora é Nossa

Chegou a hora de por a mão na massa, este blog será utilizado para postagens da aula de jornalismo online e pessoais. Entre e comente por que a "A Hora é Nossa"